352 km sendo finalizado - em homenagem ao nascimento de Raul - meu neto
Poema
de Bárbara
Em homenagem ao nascimento de Barbara - minha neta
Num
dia de tempestade, eis que julho nos deu de presente,
Kamila! deu luz a doce Barbara, linda e incandescente.
Minha
neta, tão bebe e já destemida, preciosidade encontrada,
em
teu meigo rostinho vejo a poesia, lua encantada.
Filha
de Augusto e Kamila, amor em versos declamados,
na
tormenta se fez calmaria, em seus braços amparados.
Raul,
irmão zeloso, nesse papel recém escrito,
guardião
da lua encantada, o sol no céu infinito.
Doce
Barbara, minha neta, nasceste sob os acordes de uma canção,
versos
de teu avô, estrofes do coração.
Em
cada palavra, um carinho, em cada rima, uma emoção,
minha
eterna homenagem a ti, singela e abençoada paixão.
Tu
és o arco-íris após o choro do céu,
a promessa do sol, sob o manto do véu.
Teu
avô, aqui está, ainda que embalado pelos cânions, a observar,
nos
dias de sol ou tempestade, sempre por ti irei orar.
Ó
Barbara, luar de prata, presente que Deus nos dá,
com
teu rostinho sereno, tudo ao redor irá iluminar.
De
Augusto, Kamila e Raul, és o tesouro, a vida,
mas
para teu avô, és a mais nova integrante desta nave familiar.
Tu
és a calmaria após a tempestade do dia dez,
o amor que floresce, no coração, um refúgio.
O
choro da vida é música para meus ouvidos, doce bailarina,
e meu coração se torna mais forte, eis que chega mais uma menina.
Barbara,
oh Barbara, da vida, o doce vinho,
em tua honra, neta amada, ofereço-te palavras escritas nos cânions.
Primeira
neta menina, eterna musa, nosso amor, a bandeira,
para
sempre serás, em meu coração, a mais bela estação.
C.
J . Vellasques
10.07.2023
Mas muito antes disso, existe uma pequena história que precisa ser contada
"Há momentos em que me pego olhando para trás, e percebo quantas proezas já fui capaz de realizar ao longo deste meio século de vida. Fiz muito, sim mas espero fazer bem mais ainda. Peço a Deus que me conceda tempo para cumprir o que ainda sonho, mesmo reconhecendo, com gratidão, tudo o que já vivi.
Caminho hoje por este chão como quem vive um tempo emprestado e isso, por si só, já me basta apesar de regar a terra com minhas lágrimas de vez em quando. Tenho o privilégio de ter conhecido tanto, de ter visto e sentido tanto. Recebi o dom precioso de uma família maravilhosa, de ter nascido em um berço abençoado, cercado por protetores ilustres, uma mãe amorosa, um pai provedor honrado, que sempre zelou pelos seus. A Deus, por tudo isso, só posso agradecer.
Tornei-me advogado. Plantei, colhi, trabalhei. A vida me levou por muitos caminhos, fui além de homem dos matos, também fui da indústria, numa empresa que era minha, transportando fibra de um lado a outro. Minha velha F-350 chamava-se Vidinéia. Oito cilindros em V, movida a gasolina, gastona, mas fiel. Fiel como um companheiro de estrada. Tive três sócios: dois Antônios, um deles, Antônio Cristof e outro Antonio Zapella, tinha ainda o terceiro sócio chamado Leonardo. Hoje, todos já se foram. Dos quatro sócio que sonhavam juntos, só eu fiquei.
Havia um sonho bonito, uma esperança viva de que um dia todos nós ficaríamos mais folgados. Glória àquele tempo em que bastava sonhar para sermos grandes. Os fins de semana eram sagrados, reuníamo-nos para jogar truco, rir alto, viajar sem destino. Éramos mais que sócios, éramos amigos, quase irmãos. Foi uma época bonita, doce, cheia de fé na vida.
Mas de quando em quando aparece pelos quintais ervas que não deixam seu jardim cumprir o ciclo. Lentamente o que era união foi se afastando, diria até que é normal nos mundos dos negócios, mas a saudade dos tempos idos ainda estão latentes. Mas assim, trabalhamos juntos, vivemos intensamente, aprendemos o que a vida ensina entre um tropeço e outro. Saímos inteiros, mesmo com as perdas.
Hoje, o que permanece é a saudade. Leonardo e sua esposa Rosa já não vivem, e o filho deles, Antonio "Toni", também partiu. Antônio Cristoff descansa junto a glória do altíssimo. Restou-me apenas a lembrança viva daqueles dias e destas lendas que tive o privilégio de ter ombreado. A gratidão por ter caminhado ao lado de homens que fizeram parte da minha história e que representam a estirpe de Barbara e de Raul.
Deixe-me relatar ainda, entre as muitas lembranças que a vida me deu, há uma que guardo com carinho, Toni, o Antônio Zapella. Além de ter sido meu sócio, Toni foi também um compadre querido e, por um tempo, parte da minha família, por laços do primeiro casamento. Menciono isso apenas como registro de uma caminhada compartilhada, com todo o respeito às famílias de hoje.
Toni era um homem de presença firme, coração generoso e caráter marcante. Teve um filho, o Tonielson e Indinara, por quem nutria um amor imenso. Era exigente, às vezes até rigoroso, mas seu jeito firme vinha do cuidado, daquele amor que ensina e protege. Eu me lembro do quanto se orgulhava de sua esposa e sua prole, de como sonhava em vê-los realizados. A perda deles, pai e filho, trouxe-me uma dor profunda. Tonielson partiu durante a pandemia, e Toni, um tempo antes. Foram tempos difíceis, de silêncios e saudades, hj em 2023 consigo finalmente arriscar algumas palavras sobre um tema delicado mas carregado de honras.
Também nasce daquelas memórias a lembrança de Indianara, minha afilhada. Hoje já é uma mulher feita, de própria família constituída, trilhando seu caminho com brilho e fé. Deus a abençoe sempre, assim como a todos os que vieram dessa linhagem de pessoas fortes e de bom coração.
E entre tantas histórias, há outras que o tempo não apagou. Guardo em mim o carinho por quem fez parte da minha vida, inclusive a família de Toni e também aqueles que, por caminhos entrelaçados, dividiram comigo períodos importantes como Dona Rosa, pessoa dedicada e presente, minha comadre Alcionete, Angelo e sim Anelise, mãe do meu filho Augusto, que enfrentou com coragem e amor as provações da vida mesmo eu não estando mais por perto, eis aqui o meu reconhecimento com todo o respeito a ela.
Cada um, à sua maneira, deixou marcas de afeto e exemplos de superação. Todos, sem exceção, contribuíram para o que sou hoje. A vida separou caminhos, é verdade, mas restou o respeito, o perdão e o reconhecimento. Assim seguimos: serenados, curados, com o coração em paz e a gratidão sempre presente.
Também é impossível não recordar de Antônio Cristoff, outro amigo e compadre querido. Ele foi padrinho do meu filho, e sua presença foi marcante, feita de generosidade e amizade sincera. Antônio tinha um espírito simples, mas por algum tempo fomos da velha e bela boemia, poetas nutridos pelas noites ébrias momentâneas que a declamação se fazia presente principiadas pelas dores das canções cantadas e muitas vezes improvisada. Com ele, compartilhei trabalho, risadas e sonhos, foi uma daquelas pessoas que deixam rastros de saudades por onde passam.
Essas histórias se entrelaçam como as teias de uma tarântula, feita de laços poderosos para proteger e alimentar sua família. Cada um deles, à sua maneira, deixou em mim um fragmento de aprendizado e amor. Hoje, olho para trás e agradeço a Deus por ter convivido com pessoas tão especiais, cujas memórias continuam iluminando o caminho presente.
Assim, a história não termina, ela se propaga através de Raul e Bárbara, filhos de Augusto e de todos os que vieram e virão desta família. São testemunhas e protagonistas do que começou há tanto tempo, mantendo viva a memória, o orgulho, a gratidão e a esperança. A vida nos ensinou a valorizar cada alegria e até as dores, pois são elas que moldam e fortalecem nossa essência. Que Deus abençoe essa linhagem, que siga com brilho, força e união, e que jamais deixe de contar e honrar a sua própria história.
Essa história jamais irá morrer. Ela continuará a ser contada, porque nela há amor, trabalho, amizade e o retrato sincero de um tempo que, mesmo passando, permanece dentro de mim.
Finalizo este pedaço de história com o peito apertado, mas grato seguindo avante, sem meus velhos companheiros d'outrora, testemunha silenciosa do tempo que passou, observo de longe aqueles que ficaram, dos galhos partidos novas vidas brotaram. Protejo como posso, com oração e fé, força que me resta, mesmo sem saber por quanto tempo, vigio o destino dos descendentes, sou guardião discreto das memórias e dos vínculos. E quem sabe, de repente, num desses dias vindouros, possa reunir-me outra vez com aqueles de outrora, risadas ecoando brados brotando do peito como um sapucai, cartas sobre a mesa, um truco jogado entre amigos e irmãos. Enquanto a saudade brinca e a esperança me cura, continuo, sereno, celebrando cada jornada, torcendo por todos os descentes desta história. Pois na roda dos tempos, tudo pode recomeçar, um próximo encontro, um último jogo, a eternidade para jogar e então darei risada como a trovoada no final de uma tempestade."
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